Drag queen e roqueiro nos palcos, Diego Montez 'quase' foi policial

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Por Kellen Rodrigues

Drag queen e roqueiro nos palcos, Diego Montez 'quase' foi policial

Aos 25 anos, o filho de Sônia Lima e Wagner Montes se firma como uma das estrelas do teatro musical no Brasil

Do salto (bem) alto da drag queen Angel em Rent ao rock and roll da pesada de Drew em A Era do Rock. Os últimos meses foram de versatilidade nos palcos e de realizações para Diego Montez. "Estou no meio de um sonho. A Era do Rock é meu primeiro protagonista, e a Angel era o sonho da minha vida", festeja ele. 

Muito antes de se tornar uma das novas estrelas do teatro musical brasileiro, Diego já era familiarizado com a vida artística. Filho de Sônia Lima e Wagner Montes, ele acostumou a chamar de 'tios' ídolos na TV como Elke Maravilha e Pedro de Lara, colegas de júri dos pais no extinto Show de Calouros, do SBT. "Lembro da Elke chegando lá em casa, uma mulher com uma bota até a coxa, dois chifres na cabeça, eu achava uma coisa linda", conta. 

Foi por influência da mãe, aliás, que Diego entrou no teatro aos oito anos - Sônia matriculou o menino em uma escola de artes por considerá-lo hiperativo. Já o pai queria que ele ou o irmão mais velho, Wagner Montes Filho, fosse policial. "Eu até prestei vestibular e passei em Direito, mas vi que não seria feliz ali", confessa.

Em ritmo de despedida de A Era do Rock (em cartaz no Teatro Porto Seguro até 30 de julho), e retomada de Rent (a partir de 5 de setembro no Teatro Faap, em São Paulo), ele conversou com CARAS Digital e contou sobre os próximos passos da carreira (que inclui a publicação de um livro e produção de uma peça), a amizade com Lua Blanco e Myra Ruiz, e o desejo de emocionar plateias. "Meu grande sonho é poder tocar as pesoas como fui tocado quando assisti a alguns espetáculos".

Confira o bate-papo!

- Quando você decidiu que queria ser ator?
Desde pequenininho eu sempre gostei de artes em geral, quando eu tinha oito anos comecei a fazer Casa do Ator. Minha mãe me achava hiperativo e me colocou lá para descontar minha energia. Ganhei gosto, mas sempre quis escrever, queria ser roteirista ou romancista. Assistia a muitas séries e sempre fui de ler muito desde criança. Quando eu estava fazendo O Despertar da Primavera, existiu na época uma peça com o texto do Despertar e músicas de pop rock, adorei aquilo. Conheci a Myra Ruiz no Teen Broadway, ela que me apresentou tudo isso, e musical foi o que me fez querer seguir nessa carreira. Foi quando comecei a estudar para isso, eu tinha 16 anos. Fiz curso técnico no Célia Helena, em paralelo com a faculdade de Rádio e Televisão, e comecei fazendo musicais pequenos. O primeiro grande que fiz foi o Cazuza, no Rio de Janeiro. Depois surgiram as novelas: Amor e Revolução (SBT), Rebelde (Record), e fui convidado a fazer Dona Xepa (Record), daí rolou convite pra fazer Cúmplices de Um Resgate (SBT).

- Em um dos vídeos do canal Topa Tudo Por Diego vi você falando que não acreditava em você, mas fez grandes musicais, como Wicked. Quando isso mudou?
Os diretores são gringos e eles não estão nem aí se você é famoso ou não. Principalmente quando a produção é de fora, eles querem saber se você é bom e pronto. Por exemplo, o Jonatas Faro passou para Wicked por mérito mesmo. Algumas pessoas me inspiraram muito, a coisa mais importante é ter confiança em si mesmo. Parece balela, mas é verdade, porque nesse meio se você não acredita em você mais ninguém vai. Acreditaram em mim, tive mestres maravilhosos que me deram a certeza que eu podia fazer. O Wicked foi um teste que eu jamais pensei que passaria. Era o musical dos musicas, uma coisa muito grande, era The Hunger Games (risos). A hora que saiu a audição eu pensei: vou fazer só por desencargo de consciência. Mas fui passando, passando... e aí rolou.

- Receber uma aprovação dá essa confiança que você precisava, né?
Muito! Lembro que quando recebi o resultado para In the Heights (Nas Alturas - Um Musical da Broadway) eu tive um apagão de cinco segundos, única vez na vida que tive a experiência de desmaiar. 

- A gente sabe que a vida artística não é fácil. Seus pais sempre apoiaram ou tiveram algum receio? 
A minha mãe foi uma das incentivadoras, sempre acreditou. Meu pai é meu maior fã, mas não era a pessoa que mais queria que eu fosse ator. Ele queria que um dos dois filhos fosse policial. Eu até prestei vestibular e passei em Direito, mas vi que não seria feliz ali.

- Seus pais já eram famosos quando você nasceu, como foi sua infância?
Eu tive uma experiência mágica na infância, você pensa: os amigos do meu pai eram Pedro de Lara, Elke Maravilha... era fantástico. Quando estava fazendo o musical do Chacrinha, me lembro que quando a atriz que fazia a Elke entrou no palco me trouxe a imagem dela chegando lá em casa: uma mulher com uma bota até a coxa, dois chifres na cabeça, eu achava uma coisa linda. Foi muito bom para a questão do deslumbre. Não tenho isso porque, para mim, sempre foi muito normal, foi um aprendizado.

- Você conviveu com Silvio Santos também?
Eu cheguei a acompanhar meus pais no Novo Show de Calouros quando eu era bem pequeno. O Silvio sempre foi muito próximo dos meus pais, foi padrinho dos dois. Depois que comecei a crescer rolou um lapso e eu só lembro de vê-lo novamente com 16 anos. Eu convivia muito com Tiago Abravanel. Minha primeira novela foi Amor e Revolução, no SBT, mas acho que o Silvio nem sabia que eu estava no elenco.

- Você parece ser tipo uma Maisinha 'sincerona' quando era criança...
Que nada! Eu era o nerd do nerd do nerd... Gostava muito de ler, ficava muito no meu canto, não era extrovertido. Se fosse talvez tivesse começado a estudar artes ainda antes. E eu era gordíssimo, imenso. Cheguei a pesar 112 quilos com 15 anos. 

Diego com os pais no Show de Calouros

 

- Já aconteceu alguma coisa engraçada no palco ou bastidores de alguma peça?
Sou uma pessoa estabanada normalmente, presto atenção duas vezes quando estou no palco. No Wicked teve uma vez que eu caí de bunda. No Chacrinha eu era o Ney Matogrosso e usava uma saia. Teve uma vez que a saia estourou e eu fiquei só de tapa sexo (risos). Em Rent já aconteceu do salto sair do meu pé e voar, aí eu usei toda a minha pesquisa de RuPaul (risos), terminei a música e me joguei no chão. Eu acho que cada elenco se configura de uma forma, são realmente famílias. Em A Era do Rock, por exemplo, que a gente usa aquelas perucas, é um zoando com a cara do outro o tempo todo. E o Gabriel Bellas, que faz o Lony, ele é louco, ele é aquilo na vida, a gente morre de rir.

- A Era do Rock está acabando. Como foi esse trabalho?
A gente sabia que seria uma temporada rápida, decidimos aproveitar cada espetáculo como se fosse a última semana. Estamos vivendo A Era do Rock de uma maneira tão intensa, é tão divertido, tão leve, é uma grande noitada. Ainda mais fazer isso ao lado da Thuany Parente (Sherrie), está sendo quase férias remuneradas.

- Quais os cuidados quando se está em cartaz?
Eu não bebo, durmo todo dia oito horas de sono, tenho sempre um cachecol, e a gente parece o Darth Vader com nebulizador na cara (risos). O instrumento vocal é muito sensível e o rock and roll exige muita disciplina.

- Vamos falar do Topa Tudo por Diego? Como escolhe os desafios do canal?
Gosto de pensar como um canal entre mim e as pessoas que gostam do meu trabalho e também apresentar pessoas que às vezes muita gente não conhece. Tenho uma equipe, a Fernanda Tavares e o Luiz Belineli, eles vêm com pautas, ideias... e está sendo muito gostoso continuar. Não é uma coisa pretensiosa, não estou querendo me tornar o próximo grande youtuber. É só um canal onde as pessoas fiquem à vontade para conversar comigo tanto no vídeo quanto nos comentários.

- E você leva amigos como a Lua Blanco, Myra Ruiz... 
A Lua é uma das minhas melhores amigas, a gente tem esse fandom há muito tempo. Conheci ela um pouquinho antes de Rebelde, mas ficamos próximos na novela. A Myra eu até coloco em outra categoria, que me acompanha de perto desde que a gente se conheceu. E ela é uma profissional tão incrível, eu aprendo muito com ela sobre disciplina, foco, é uma relação de outro planeta. Ela é realmente uma irmã pra mim.

- Rolou ciuminho da amizade dela com a Fabi Bang?
(Risos). É, as duas são inseparáveis. Mas acho que eu, a Myra e a Fabi temos um trunfo. A gente conseguiu formar uma fanbase de teatro, isso é difíciil porque foi o teatro e não a televisão. Essa nova geração se interessar por teatro me dá muita esperança que, de fato, vire uma plataforma mais popular. 

- Em que pé está sua carreira de escritor?
Tenho um livro pronto e muita vontade de publicar, mas ainda não corri atrás disso porque, graças a Deus, estou trabalhando bastante. Sempre que dou uma entrevista e falo sobre ele é um beliscão. Além do livro, tem uma peça que provavelmente vou produzir no ano que vem com um amigo.

- Como é o Diego professor de teatro?
O que me fez me apaixonar por musical foi performances (em escolas) e depois que eu comecei a trabalhar profissionalmente eu vi como foi importante ter participado de montagens como essas que me ajudaram a entender o mercado. É um presente você poder ajudar as pessoas nesse lugar, descobrir gente nova também. O próprio garoto que fazia meu cover na Angel, o Kaíque, ele começou no Teen Broadway e ele tem uma vivacidade e um talento de outro planeta.

- Quais são seus próximos passos? Algo em TV, musicais?
Em TV ainda não tenho nada em vista. Tenho a volta de Rent, às terças e quartas, às 20h, no Teatro Faap, e quem sabe uma partipação no show da Myra e Fabi (risos). Existe uma vontade, eu e a Myra falamos sobre isso algumas vezes.

- Quais seus sonhos?
Estou  no meio de um. Rock of Ages é meu primeiro protagonista, e a Angel era o sonho da minha vida. Meu grande sonho é poder tocar as pessoas como fui tocado quando assisti a alguns espetáculos. Lembro de ver Rent e sair transformado, aquela mensagem me pegou de tal forma que não mudou só minha vida artística, mas entendi que "viver é pra já".

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Notícia publicada Qua, 26 jul 2017 as 11:07, por Kellen Rodrigues.






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